domingo, 12 de janeiro de 2014

Solus Christus



 “Falava ele ainda, quanto uma nuvem luminosa os envolveu; e eis vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo: a ele ouvi. Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos, e não temais! Então eles, levantando os olhos a ninguém viram senão só a Jesus.” Mateus 17:5-8 Numa época onde muitos ídolos estão aparecendo no meio evangélico, numa época onde a atitude de muitos seria de montar uma tenda para Jesus e outras para os pastores e cantores famosos, temos aqui um direcionamento dado por Deus sobre quem devemos buscar ouvir e ver: Somente a Cristo. Somente em Cristo, e apenas nEle a satisfação de Deus está depositada. O Senhor disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.

Não há nada e nem ninguém fora de Cristo e nem além dEle que possa satisfazer a Deus. O Senhor se compraz em Seu f ilho, apenas. Unicamente por imputar a justiça de Cristo sobre seu povo que Deus se alegra em nós. Diante disso, somos ordenados por Deus (pois o verbo ouvir está no imperativo) a ouvir somente a Cristo “a ele ouvi”. Mas o que é ouvir a Cristo? Ouvir a Cristo é ouvir a Palavra de Cristo: a Escritura. Ouvir a Cristo é abrir as Escrituras para estudá-las: “E, começando por Moisés discorrendo por todos os profetas expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.” (Lc 24:27). Como certo servo disse: “Em muitos lugares raramente é possível ir a uma reunião cuja única atração seja Cristo.

Só se pode concluir que os filhos de Deus estão entediados dele, pois é preciso mimá-los com pirulitos e balinhas na forma de filmes religiosos, jogos e refrescos” Cristo hoje é tratado como um mero coadjuvante e não como o Protagonista. A evidência de que estamos cumprindo a vontade de Deus em dar a Cristo toda a primazia e tê-lO como preeminente em nossas vidas é que não fitaremos a ninguém mais a não ser Cristo “Então eles, levantando os olhos a ninguém viram senão só a Jesus.” Apenas em Cristo temos a Salvação. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (At 4:12). Não há nenhuma outra ligação entre Deus e homens. Unicamente os que depositaram sua confiança em Cristo estarão com Ele no fim dos tempos. Ele é a única ponte do pecador ao perdão de Deus.

Assim como só havia um caminho através do Mar Vermelho para o outro lado, só há um caminho para chegar-se ao Senhor. Somente em Cristo somos aceitos pelo Pai, somente por causa de Cristo somos atendidos pelo Pai, somente em Cristo somos amados pelo Pai, somente em Cristmos salvos da ira, somente por meio de Cristo temos paz com Deus e a paz de Deus. Sem Cristo, nada podemos fazer.

Auto-exame:

1) Você acredita que quem não conhece a Cristo pode, de alguma maneira, ser salvo, ou você realmente crê que “aquele que não crê no Filho não verá a vida” (Jo 3:36)?
2) Quando você prega, conversa, se relaciona, etc, você tem Cristo como o centro, tentando sempre expor Sua encarnação, vida, morte, sacrificio, exaltação e Soberania Christus.

Equipe Voltemos ao Evangelho

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A ADORAÇÃO SILENCIOSA

Falou mais Moisés, juntamente com os sacerdotes levitas, a todo o Israel, dizendo: Guarda silêncio e ouve, ó Israel! Hoje, vieste a ser povo do SENHOR, teu Deus. Deuteronômio 27:9

               Moisés reuniu todo o povo de Israel e lhes repetiu tudo o que Deus havia dito. Era uma gama de conteúdo muito grande, da qual o próprio Deus já tinha feito um resumo descrito em Deuteronômio 6:4-7: Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.
 A palavra “ouve” (Shama em hebraico) quer dizer: ouvir, escutar e obedecer. Edgar Willems (1890) pedagogo musical, fazendo uma conexão entre a natureza humana, a música e a audição, relacionou três campos perceptivos humanos (sensorial, afetivo e mental) que vinculou a três verbos em francês: Ouir, écouter e entendre (ouvir, escutar e compreender). Poder-se-ia dizer “ouir” para designar a função sensorial, “écouter” para designar aquela função em que a emoção se junta ao ato de “ouir”, e “entendre” para indicar que toma consciência daquilo que se “ouit”.
 Em nosso idioma essas três palavras não são tão diferenciadas em relação a função auditiva, porém podemos observar que por causa de eventos sonoros contínuos, repetitivos e estressantes para nós, a nossa mente “filtra” muitas coisas que ouvimos durante o dia. Isso é bom, pois se não houvesse esse recurso o nosso sistema nervoso entraria em colapso mesmo no ventre materno, porém perdemos a capacidade de escutar e entender com discernimento os sons mais singelos a nossa volta.
 É assim que instrumentos inanimados, como a flauta ou a cítara, quando emitem sons, se não os derem bem distintos, como se reconhecerá o que se toca na flauta ou cítara? 1 Coríntios 14:7. O ruído está presente no mundo em todas as atividades. Seja da natureza ou do próprio homem, o ruído faz parte da humanidade que geme.
Uma definição aceitável é que ruído é qualquer som indesejável, desagradável e que perturba, de forma física ou psicológica para todo aquele que percebe o ruído. Ruído também é definido como som indistinto, sem harmonia, barulho, estrépito ou estrondo.
  O silêncio absoluto é impossível ao homem, pois até numa câmara anecóica (an-echoic, sem eco), pode-se ouvir as batidas do coração, o sangue bombeando nos vasos sanguíneos e o ar entrando e saindo dos pulmões. O homem também não consegue conviver em silêncio no seu coração sem que inrrompa nele o grito de desespero do seu vazio existencial. Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz. Isaías 57:21 
 A paisagem sonora que nos cerca (termo cunhado pelo compositor Raymond Murray Schafer -1969), ou que está dentro de nós, é composta por todo o tipo de sons e ruídos que, sem discernimento nos levam a um estado de ansiedade e inquietação; consequente desorientação; dificuldade de perceber a realidade e a presença constante de Deus em nossa vida. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Provérbios 3:6
O quanto é difícil aquietar, ficar parado no lugar e ouvir a voz de Deus! Deus disse ao povo de Israel assim como para nós hoje: “fiquem em silêncio e ouçam, ó meus amados! Não temam, porque eu os redimi. Eu os chamei pelo nome. Vocês são meus”. (Versão contemporânea de Dt 27:9 e Is 43:1).
 Em um mundo cheio de ruídos nos acostumamos a ouvir muita coisa, mas escutar muito pouco. Até nas reuniões das igrejas com frequência há muito barulho e o volume é muito alto. A passagem do Salmo 65:1 se refere a um culto que, em contraste com a alegria ruidosa normalmente usada na reunião da igreja, é feito no silêncio da alma que descansa em Deus. A ti, ó Deus, confiança e louvor em Sião! E a ti se pagará o voto (Sl 65:1).
 A palavra hebraica traduzida como "louvor", aparece muitas vezes na Bíblia com o significado de enaltecimento, gratidão, discurso elegante, linguagem polida, porém neste texto a palavra hebraica significa "silêncio”, “calma”, “repouso”, “espera calma”.  Isso nos faz lembrar o Salmo 23: 1,2 que diz: O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso.
 A agitação da nossa alma tende a obstruir ou atrapalhar a percepção da voz do Espírito Santo. Não adoramos ao Senhor na ansiedade, na inquietude, no descontentamento, pois não conseguimos parar para contemplar a sua grandeza. Pecamos pois não ficamos a sós com o Senhor no silêncio da comunhão e muito menos ouvimos sua direção. Pecamos por atropelar nossos dias com tantos afazeres sem contemplar a superabundante graça que o nosso Deus concede a quem com o coração contrito confessa seus pecados a Ele.
 Tudo o que fazemos não tem valor real se não formos guiados e motivados por Deus. Não há como sermos guiados e motivados por Deus se não tivermos tempo de quietude em Sua presença, ouvindo a Sua Palavra. SENHOR, concede-nos a paz, porque todas as nossas obras tu as fazes por nós. Isaías 26:12 
 Muitas vezes o problema não está no volume sonoro exterior, mas nos altos decibéis na mente. A ansiedade nos estimula a fazer as coisas com muita pressa, sem nos deixar sentar e ficar em silêncio. Na adoração silenciosa somos levados ao colo do Pai que nos faz descansar no Seu perdão e gozar da segurança que só há Nele.
 Descansar em Deus por crer que somos Dele, é crermos no Seu poder, autoridade e amor por nós. Alguns obstáculos nos impedem de pararmos para ouvi-lo dizer isso. São eles: a falta de perdão, o tradicionalismo, a rotina, pecado não confessado, ingratidão, preguiça e negligência.
 Crer na soberania de Deus tem como resultado o descanso mesmo em momentos de turbulência. Na quietude do louvor o poder curador de Deus é derramado em nosso coração. Na adoração silenciosa, na quietude de nosso coração diante de Deus, nossas vontades se submetem a Ele; nosso interesse cede, o coração se humilha e nos derramamos na presença do Rei. Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio. Lamentações 3:26 
 Diante de nossa percepção distorcida ainda assim o Senhor nos faz ouvir: Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; Isaías 55:3a. Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. Salmos 46:10
Pr. Eric G. do Carmo

Como você está?


Você precisa considerar esta pergunta nas mais diversas áreas da sua vida, tanto profissionalmente, em relação à sua família, à sua saúde, como no campo das emoções e sentimentos e até mesmo com a sua religião.

Porém, o mais importante é considerar a sua vida espiritual, isto é, a sua vida com Cristo, com Deus. Porque a Bíblia nos fala de dois lugares eternos: o céu e o inferno.

Todas as nossas escolhas terão as suas consequências. Deus nos diz em sua palavra: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” Gl 6:7.

Hoje muitas famílias estão sofrendo amargamente por causa dos vícios, das violências, dos desprezos, das traições e das suas consequências trágicas. Toda maldade é produto da rebeldia do homem contra Deus. Nascemos em pecado e pecamos sempre contra Deus quando queremos viver independente D’Ele. Como está escrito: “Não há um justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.” Rm. 3: 10 a 12.

Fomos todos contaminados pelo pecado de Adão e Eva. Por nós mesmos não temos como nos livrar do pecado, mas pelo poder de Deus e através de Cristo na cruz, as obras do diabo foram desfeitas de dentro de nós. “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: Para destruir as obras do diabo.” I Jo 3:8.

Jesus Cristo veio trocar a nossa vida de pecado por uma vida nova, a vida D’Ele. “Sabendo isto: que foi crucificado com Ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído e não sirvamos ao pecado como escravos;” Rm 6:6.  Ele veio nos fazer novas criaturas. “E assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é as coisas velhas já passaram eis que tudo se fez novo.” 2Co 5:17.

Jesus Cristo morreu na cruz e nos fez morrer para uma vida de pecado. “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com Ele viveremos.” Rm 6:7 e 8.

Jesus Cristo ressuscitou para nos ressuscitar também, para uma vida de vitória contra o pecado e contra satanás. Não fique mais longe de Deus. Não despreze a palavra de Deus. Em Gálatas 2:19b e 20 diz: “Estou crucificado com Cristo, logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora tenho na carne, vivo pela fé no filho de deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”.

Ele pode mudar a sua vida. Receba o perdão de seus pecados agora mesmo, aí onde você está, deixe Cristo habitar em você. Faça esta oração: “Jesus Cristo, por tua misericórdia, me dê fé para crer em tua Palavra que diz que minha natureza de pecado foi crucificada com Cristo para que Tu sejas a minha vida”.

Jesus Cristo quer habitar no seu novo coração, entregue-se a Ele e viva guiado pelo Espírito Santo.

 

terça-feira, 9 de abril de 2013

DISCERNINDO O TEMPO PRESENTE


Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. Efésios 5. 15-17

Quando se fala em discernir o tempo presente, grande parcela do chamado mundo evangélico entende que o assunto é de cunho profético, envolto numa interpretação de profecias bíblicas para os nossos dias. Porém vamos ver neste estudo o que significa ter discernimento espiritual e o que isso implica na prática da vida cristã diária.

Há várias palavras no hebraico e grego bíblico que são traduzidas pelo verbo discernir ou por seu substantivo - discernimento. Dentre elas podemos destacar os sinônimos: compreender, discriminar, considerar, perceber, observar, fazer distinção, examinar, ser inteligente, ter prudência. Salmos 19:12, Jonas 4:11, 1 Pedro 3:7, Efésios 3:4, 1 Coríntios 12:10, Hebreus 5:14, Mateus 16:3, Lucas 12:56, Hebreus 4:12, Salmos 36:3.

Em termos da vida de um cristão, discernir significa balizar a maneira de pensar, a fé e prática de vida a partir da Palavra de Deus, confrontando com o que está acontecendo no mundo, a nossa volta e conosco. Significa também distinguir o quanto temos sido influenciados por conceitos antibíblicos e voltarmos (arrependimento) para o centro da vontade de Deus. E não vos conformeis com este século, mas sede transformados (voz passiva, modo imperativo) pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2

Em tempos atuais com o surgimento de tantos absurdos teológicos, práticas eclesiásticas cada dia mais extravagantes, deturpações de textos bíblicos e inversões dos valores cristãos e éticos, é cada vez mais importante discernir os ataques e ações contrárias à vida cristã. Muitas armadilhas aparecem em nossos dias, tentando nos desviar da centralidade de Cristo e da vontade de Deus. Por isso há grande perigo em deixamos aberta a porta de nossa mente. É necessário termos critérios claros e convicção firme para rejeitar o que não é saudável e tomarmos decisões sábias. Esses critérios e convicções, somente adquirimos no relacionamento intimo com Deus, buscando nas Escrituras e na comunhão através da oração, compreender qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Com a atual confusão teológica emergente no meio evangélico brasileiro, tem sido cada vez mais difícil com uma explicação simples, se dizer o que é um cristão. Por esse motivo não se distingue com facilidade as bases bíblico teológicas; não é possível saber exatamente o que os evangélicos atuais creem em relação a vários pontos fundamentais da fé cristã como: o sacrifício de Cristo, regeneração, justificação, pecado, santificação, soberania, adoração, etc., pois os temas mais proeminentes de hoje estão centrados no homem e suas demandas.

A superficialidade no estudo das Escrituras causada pela extrema ocupação do tempo com outras coisas, em geral tem feito com que a interpretação bíblica seja delegada a líderes religiosos da teologia liberal; de uma hermenêutica moldada pela mente relativista, baseada em conceitos mundanos, ou ainda por linha doutrinária legalista. Algumas causas podem ser apontadas: abandono do exame das Escrituras (At 17.11); ausência de reflexão bíblica (1 Tm 4.15); conformismo (Rm 12.2); passividade e medo.

Os movimentos religiosos, bem como os políticos, econômicos e culturais sempre surgem em oposição ao movimento vigente. É um movimento pendular oposto que tem o desejo de libertar-se de um radicalismo, mas que em geral vai para outro radicalismo. Teologia liberal (ou liberalismo teológico) é um movimento teológico cuja produção se deu entre o final do século XVIII e o início do século XX. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Os liberais ressaltam as implicações éticas do cristianismo fazendo-o não um dogma (ponto fundamental e indiscutível de uma crença) a ser crido, mas um modo de viver e conviver, um caminho de bem estar.

Para a fé cristã histórica, a Escritura Sagrada é inerrante e os milagres do Antigo e Novo Testamento ocorreram como descritos, assim como a morte e ressurreição física de Jesus Cristo dentre os mortos, são todos considerados fatos. No entanto, na linha da teologia liberal assuntos como criação, Adão, queda, milagres, morte e ressurreição de Jesus Cristo, entre outros, são mitos e lendas inventadas pelo povo judeu e pelos primeiros cristãos, em uma época quando ainda não havia explicação racional e lógica para o sobrenatural. E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus. Filipenses 1.9-11.

Entretanto, diante dessa situação caótica há muitos cristãos sinceros buscando a verdade, querendo conhecer a Cristo. Não podemos cair no engano de que Deus está agindo somente nos nossos arraiais, ou que temos completo conhecimento das doutrinas fundamentais, pois este pensamento gera orgulho espiritual, e o amor se esvai e tudo não passa de inchaço teológico deformado. O resultado é a intolerância com irmãos “mais fracos na fé” ou comunidades inteiras. Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Romanos 14.1

Em meio a essa confusão teológica instalada em grande parte nos movimentos neopentecostais, mas também em denominações tradicionais, podemos observar um declínio da fé em função da ascensão da descentralização de Cristo e da centralização do homem como motor de todas as coisas. Se de um lado a teologia da prosperidade coloca o homem e suas ambições no centro, fazendo de Deus um serviçal, de outro perfil o misticismo medieval (ausência de fé bíblica e ênfase na experiência) busca na experiência sensorial sentir Deus. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Colossenses 3:23-4:1-3.

Segundo um estudo sobre o assunto do misticismo medieval a “Experiência mística implica o desejo da união com Deus e que atingir essa união certamente conduz a mudanças na consciência do sujeito. O misticismo (...) é sempre na sua essência a exaltação levada ao extremo dos limites não racionais da religião”. Onde as Escrituras não são cridas como infalível Palavra de Deus inerrante, conceitos liberais e antibíblicos surgirão para nortear as convicções. Soma-se a isso o materialismo gerando a secularização da vida.

Há um apelo da teologia liberal por algo novo que ultrapasse o que tem sido firmado, crido e confessado há séculos pelas Escrituras, progredindo para uma teologia contemporânea e brasileira. Isso só seria autentico se não houvesse a verdade absoluta de Deus transcendende culturas, gerações e o tempo. Em defesa de uma postura não exclusivista, muitos assumem uma prática de vida mais parecida com o mundo do que com Cristo. Na ânsia por fazer um movimento pendular oposto o mais distante possível dos modelos de vida cristã das décadas anteriores considerados arcaicos, muitos rejeitam pontos fundamentais da teologia bíblica. Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Hebreus 2.1

A ausência de homens maduros na fé, maridos comprometidos com o reino de Deus, de esposas tementes a Deus que se dedicam no ensino das Escrituras aos seus filhos, daqueles que priorizam a vontade de Deus ao invés da correria ao sucesso profissional, o desejo de não parecer um cristão arcaico, tem sido a porta de entrada de muitos desvios teológicos na igreja contemporânea. A busca de alguma maneira para satisfazer a ansiedade por paz e quietude da alma, tem feito com que muitos fiquem presos a entretenimentos das mídias, a festas e prazeres. O apóstolo Paulo diz ao jovem Timóteo: Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes. 1 Timóteo 4: 16

Nesta linha, sutilmente os fundamentos da fé vão sendo solapados. Como disse um teólogo: “Onde a ética da Bíblia é vista como ultrapassada, fica aberta a porta para a conformação da ética da Igreja à ética do mundo”. Porém amados, precisamos colocar os olhos no Senhor Jesus Cristo, porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. 1 Coríntios 3:11

O discernimento é essencial no processo de tomar decisões sábias e se alguém está precisando de sabedoria a Bíblia nos diz: Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Tiago 1:5. O discernimento é essencial para o crescimento espiritual, e só cresce quem se alimenta da Palavra de Deus. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal. Hebreus 5:14. Não se trata de esperteza humana, mas de discernimento espiritual. As quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. 1 Coríntios 2:13-14

Mais dois textos para meditarmos nesse dia: Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia. Desviando-se algumas pessoas destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola, pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações. 1 Timóteo 1.5-7

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. Filipenses 4:8.

Eric Gomes do Carmo

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Música ou ministério?

Música ou ministério?


O único ‘ministro de música’ acerca do qual o Senhor dirá: ‘Bem está, servo bom e fiel’ é aquele cuja vida confirma o que suas letras estão dizendo, e aquele cuja música é a parte menos importante de sua vida. Glorificar ao único que é digno tem de ser o mais importante objetivo do ministro.

São palavras de Keith Green - Trata-se de um músico cristão norte-americano, cujo curto ministério teve grande influência na vida e formação ministerial de muitas pessoas. Gravou seu primeiro trabalho cristão em meados da década de 70, com pouco mais de 20 anos. Faleceu em 1982, vítima de um acidente aéreo, aos 28 anos de idade. Você pode saber mais sobre ele em www.lastdaysministries.org (site em inglês)

O termo ‘ministro de música’ foi mais usual no passado; hoje nem tanto. Hoje dizemos ‘pastor de adoração’, ministro de louvor, músico cristão, etc. Mas creio que a declaração acima vale para qualquer um que em sua ministração use música ou qualquer outro tipo de arte.

Olhando para o que se tem praticado nas igrejas e no meio cristão brasileiro, vemos algo – no mínimo – estranho. É certo que não encontraremos ninguém que afirme discordar da frase de Keith Green, mas daí a encontrar alguém que demonstre esta realidade no seu dia a dia... É duro. É difícil. Para viver esta realidade há que se caminhar contra, remar contra a maré do mercado, desafiar empresas gravadoras e promotoras de eventos, enfim, ser um calo no pé de muita gente.

Sei que para alguns minhas palavras podem soar um tanto carregadas de tinta, mas eu o convido a passar por alguns itens que ilustram o que eu digo. Chamo a sua atenção não para o que falamos, mas para o que fazemos. Atitudes e não palavras. Atitudes que demonstram o que de fato somos e pensamos, independente de nossas declarações por vezes oportunistas e ‘politicamente’ corretas.


Que ‘ministro’, que nada...

O músico cristão é um ministro? Alguém que recebeu a incumbência de falar e pregar o que recebeu e recebe de Deus? Não! Nossa realidade prática diz que músico é músico, um artista.

No fundo não deixa de ser verdade (ele precisa da arte para desenvolver seu ministério). Mas o problema está na prioridade. Se sou um ministro eu uso a minha música a serviço do ministério. A música é portanto ferramenta, não produto final. Se sou ‘apenas’ um artista, um músico, a música é meu produto final.


Como a nossa realidade prática afirma que músico é artista, não ministro?

Estava na semana passada em um restaurante com um colega, um conhecido músico cristão. Relembrávamos nossas experiências: as boas e as más. Dentre as más, chorávamos as vezes em que fomos convidados para sermos ‘vaso de flor em festa de igreja’. As vezes em que fomos chamados para uma festinha de aniversário como presente para o aniversariante, que sempre ‘sonhou’ em ter o seu ‘parabéns a você’ puxado pelo fulano de tal. As vezes em que fomos convidados porque a nossa voz é peculiar, porque tocamos isso ou aquilo...

Não é de se estranhar que mais e mais ‘artistas cristãos’ gostem desse ritual e comecem a cobrar seus cachês e impor suas condições... afinal, quem é o artista?


Vida coerente? Quem pensa nisso?

Sou do tempo em que se dizia que devemos procurar nos apresentar preparados, como obreiros do que não tem do que se envergonhar. Sou do tempo em que ministro tinha (e tem) lá suas qualificações de vida para exercer seu ministério.

Mas quem presta atenção a isso hoje? Muito pouca gente... Ao contrário, certos músicos e certos grupos são tratados por gravadoras e agências como ‘produtos’ e não pessoas de carne e osso. Pouco importa o que são na vida real; vale o que parecem ser.

Resultado? Ora, não procure muito! Corre-se o risco de descobrir coisas desagradáveis... Talvez algum de seus artistas ‘gospel’ prediletos nem cristão de fato seja... Talvez outro não possa mesmo mostrar sua família, pois de qual falará? Da primeira esposa e filhos, da segunda, ou da atual, colega de banda, que aliás está grávida?

Mas quer ver um exemplo oposto? Gosto muito da música e das letras de Steven Curtis Chapman (americano, 43 anos). Apesar dos Grammys que já ganhou, segue sendo um exemplo de ministro. Ele anda compondo letras sobre adoção de crianças. Oportunismo? Balela? Ora, entre em outra página do site (www.stevencurtischapman.com) e veja uma foto dele, da mulher, dos 3 filhos biológicos e das 3 meninas chinesas que adotaram. Mais ainda, veja que ele abriu uma fundação que dá bolsas a famílias que queiram adotar crianças, já que o processo de cada adoção pode custar caro. No final, o que fala mais alto? As letras dele ou a vida dele?


Vida que confirme suas letras de música? Letras que retratem seu dia a dia?

’Carlos, pare com essa conversa chata...’ O que vende é música ‘pra cima’, falando de vitória, de sucesso, de prosperidade. O que vende é música de letra fácil, curta, com a qual todo mundo concorda e canta de olhos fechados. Entretenimento, meu caro, en-tre-te-ni-men-to! Canções que mostrem seus fracos e como você os resolve? Ora, não assuma esse tipo de risco...

Conversa de gravadora? Não! Realidade de mercado mesmo. A gravadora só retrata o que percebe no dia a dia. Nosso povo cristão prefere consumir músicas de entretenimento, até como uma consequência do tipo de evangelho (ora, não era pra ter um só?) que hoje se vive nas igrejas. Se a igreja virou um ‘produto’ a ser vendido para os fiéis, por que não nossas músicas?


A música como menos importante?

É, soa mesmo estranho. Ainda mais no clima de excelência que um músico gosta de trabalhar.

Mas se a música for a primeira prioridade, não estamos falando de ministério. Como diz Keith Green, a prioridade deve ser glorificar ao Deus do ministério; a música vem lá no final da fila. E quem conheceu Keith Green sabe que ele estava longe de ser alguém ‘pouco excelente’ no que fazia. Sua música é destacada, suas performances instrumentais são impressionantes. Mas definitivamente o que fala mais alto é sua vida e seu ministério (fala até hoje, quase 25 anos após sua morte).

A excelência no que fazemos deve e precisa existir, mas como consequência do ministério que abraçamos.


A situação tem remédio?

Não creio que devamos falar de remédio. Tampouco creio que Deus está surpreso com as coisas que hoje estão por aí. Ele mesmo já nos preveniu e avisou do esfriamento da fé nos últimos tempos. Portanto, creio que o consumismo que hoje se percebe no meio cristão faz parte desse cenário.

Entretanto, como Deus tem me ensinado, pouco importa o que outros estejam falando ou fazendo. Importa é o que eu estou fazendo. Importa é saber qual tem sido a qualidade do meu ministério perante Deus.

Eu realmente pretendo estar diante Dele e ouvir de Sua boca: ‘bem está, servo bom e fiel’. Ou como diz Ed René Kivitz, ouvir Deus falar : ‘valeu!’


Fonte: Carlos Sider